Manifesto Comu(nicação)nista
Completando 12 meses de aula (tirando a greve e as férias em épocas exóticas), é chegado o momento de refletir: "o que é que eu estou fazendo aqui, afinal?" E chego à seguinte conclusão: "não faço a menor idéia, mas Comunicação é um curso do c*ralho!". Esclareça-se este devaneio: Comunicação é o melhor porque, ao contrário dos outros cursos, possui uma grande variedade discursiva. Em alguns cursos, tudo o que é dito pode ser resumido em apenas uma simplória frase. Para não parecer aula de Português, vejamos alguns exemplos:
Medicina: P*ta M*rda, tem prova de Neuroanatomia amanhã!
Direito: Desculpa, não posso te dar carona porque o estofado do meu Jaguar é novo e vai sujar...
Engenharia (qualquer uma): Onde a gente vai tomar cerveja depois da aula?
História: Fora FHC e FMI!
Ciência da Computação: A primeira formatada do Winchester a gente nunca esquece...
Belas Artes: Noooooossa, que pernas grossas!
Aqui é diferente. Ao mesmo tempo que você ouve escuta profundas reflexões filosóficas sobre as grandes questões da vida, alguém diz uma asneira digna de ser dita por Newton Cardoso. E esta mesma pessoa que falou a asneira pode se redimir dizendo uma "sabedoria transbordante" (sim, aquele Nikos Andropoulos que escreveu no Jornal Mural era eu), e vice-versa. Outro exemplo: estava eu saindo da aula do Júlio Pinto, ou melhor, de seu dublê André, ainda anestesiado com os grandes ensinamentos semióticos, quando me deparo com esta calorosa discussão entre Virgínia e Daniela. Virgínia: "Eu prefiro merda do que bosta" Daniela: "Eu acho que merda dá a impressão de uma coisa molhada..." Chamado a participar da discussão, já retomado do choque inicial, digo: "Eu prefiro bosta, porque lembra algo bucólico, o campo, bosta de vaca..."
Não quero dizer que Comunicação é um curso separado entre sábios e imbecis - embora os alunos de Jornalismo se assemelham mais ao primeiro caso e os de Publicidade ao segundo (brincadeirinha...) - porque Virgínia, Daniela e até eu mesmo estamos sujeitos a dizer asneiras, sabedorias ou frases desconexas alternadamente, pois somos es-
tudantes de Comunicação Social.
Estatisticamente, a probabilidade de alguém dizer: "gosto muito de Led Zeppelin, mas sou fã número um do Soweto" é muito maior de acontecer com um aluno de Comunicação do que com uma pessoa normal (tudo bem, eu inventei isso).
Finalizando, quando alguém disser que somos lesados, doidos (isso pra gente não é ofensa), maconheiros, "playboys aloprados" ou "patricinhas desvairadas", não tente argumentar. Deixe-o viver sua mesmice de vida sem sentido, assistindo Barrados no Baile, ouvindo Backstreet Boys e lendo Lair Ribeiro, "sentado no trono de seu apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar" (desculpe, me empolguei), enquanto a gente dá risada da cara dele, filosofando sobre a diferença entre bosta e merda.