Hoje eu acordei puritana
Devo estar ficando velha e ultrapassada. Explico: ontem liguei a TV e por acaso (juro!) passava o programa do Raul Gil.
A cena a qual assisti era grotesca: duas meninas e um menino de aproximadamente cinco ou seis anos, dançavam ( se é que se pode chamar assim) ao som de uma música baiana, com letra típica de música baiana, claro: "... põe a mão no joelhinho e balança a bundinha...".Pareciam ter sido ligados em alguma tomada, como se seus corpos se sacolejassem por conta própria. O rosto de criança não combinava com os movimentos sensuais ( pra não dizer sexuais) do corpo.
Enquanto eu, estupefata, perdia a fala, minha irmã de treze anos me explicava que "aquilo" era um concurso para "cover" do grupo Molecada, que por sua vez, iniciara a "carreira" como "cover" do "É o tchan"( acreditem se quiserem) .
A cena de quase pedofilia via TV me impressionou enormemente. E a normalidade e quase familiaridade com que minha irmã caçula me explicou a cena, fez com que eu me sentisse uma anciã.
Me pergunto se mais ninguém se choca com cenas assim. Talvez a coisa já esteja tão banal, aliás, tudo já esteja absolutamente banal, que nada choca ou impressiona a nossa geração.
Será que sou eu a "fora de órbita"?
Posso estar ultrapassada do alto dos meus vinte anos, mas sinto saudades do Sítio do Pica-Pau Amarelo, do Balão Mágico, quando a gente queria ser Narizinho e os meninos Pedrinho.
(Não sei não, mas se é disso que o povo gosta, se é nessa mídia que vamos trabalhar, então , não vale a pena ler Habermas.)