Quando o Titanic subiu...

Adriano Frederico de Oliveira

Era com até um pouco de vergonha que admitia que ainda não havia visto o filme Titanic. Na época em que estava no cinema, me encontrava solteiro, com o pau na mão e não quis ir com meus amigos, assistir a tão bela película. Essa situação de alienação cinematográfica foi revertida neste domingo, quando pude banhar meus olhos em mel, graças ao Telecine 1, mídia da classe média (agora em baixa). Mas esse artigo não se trata de uma análise do filme, mas sim de uma analogia que fiz, numa dessas terças-feiras (em que me encontrava perdido na 5ª Dimensão), sobre os olhares das pessoas quando se confrontavam com a morte iminente e os olhares dos alunos de Comunicação quando confrontam os conceitos celestiais das aulas semanais.
Lembro-me bem (principalmente porque assisti ao filme 2 vezes) dos olhares que as pessoas trocaram, na cena em que o navio ficou na vertical e começou a descer. Parabéns a titio Cameron que, como excelente diretor, conseguiu passar um olhar que algumas pessoas conhecem bem, o olhar do confrontar a morte, do confrontar o destino. Uma vergonha que nenhum aluno da Comunicação teve essa idéia antes, já que nós trocamos esses mesmos olhares 2 vezes por semana no 4º período. Hoje, numa das terças-feiras de sessão 5ª Dimensão, eu pude ver de novo os olhares que tanto me comoveram (não, eu não chorei). A grande maioria da sala, em desespero, procurando uma saída, encontrava seus olhos com os meus e suspirava em agonia. Uma grande desvantagem leva nosso curso em relação ao Titanic, ninguém chora por nós, ninguém nos consola quando andamos cabisbaixos para o nosso cadafalso. Com certeza, a agonia dos náufragos durou mais tempo, duas horas e meia em contrapartida as nossas uma e quarenta, mas duvido que essas pessoas passaram pela experiência mais de uma vez. Sendo que nós, passamos por ela toda semana, duas vezes para ser exato.
"Qual é o problema com a Comunicação?" você pode estar se perguntando. Depois de muito pensar, eu resumi o problema em apenas uma afirmação, se bem que é mais um achismo, já que não fundei minha teoria em conceitos estruturados pelos mestres (quando falo "mestres" lembre-se que existem vários Marx, Webers e Fulanos). Em resumo, a comunicação é 3D. Esse é o problema dela, nossa pobre mente, acostumada a pensar linearmente, não está preparada para viver numa 4ª Dimensão sem definição linear do tempo (como viviam nossos antepassados) e muito menos numa 5ª, uma dimensão onde não existe tempo nem espaço, apenas conceitos abstratos flutuando em desordem na frente de seus olhos. Aqueles que estão preocupados com seus lobos frontais, não se desesperem. É comprovado parapsiquicamente que viagens a outras dimensões provocam o desenvolvimento de poderes telepatéticos. Com certeza no quinto período conseguiremos farejar baratas (ou mesmo gelo, como dizia o vigia do Titanic), adivinhar o horários dos cinemas, chupar cana e assobiar e até mesmo, em nossos sonhos mais insanos, aprender alguma coisa das matérias curriculares.