Minha última noite com Nikolas
Finalmente, as aulas da maioria se acabaram no dia 16. Como de tradição, a turma da Comunicação combinou uma saída histórica no amigo oculto. Mas nada ficou muito definido e, por fim, o que eu soube foi que todos iriam ao Bay Up ver a Camila cantar a Britney Spinhas. Como eu ia trabalhar, combinei com a Carinhas de ir mais tarde. Ela quase dormiu me esperando, eu cheguei, troquei de roupa e pintei em tal velocidade como nenhuma mulher faria. E ainda deu tempo de tirar foto!
Chegamos no Bay Up, lá dentro estava muito animado, de longe eu podia ouvir a voz da Camila e ainda falei com a Cáritas: "Nossa, o pessoal tá animado, hein?" Passo a passo, fomos entrando, na expectativa de ver as pessoas unidas em nome da Comunicação. E quanto mais entrávamos, menos reconhecíamos alguém. Só tinha homem lá dentro! E aqueles homens estranhos que num sopro de fantasia alcoólica pensaram que nós éramos as tradicionais "moças do Bay Up"...
"É, Carinhas, acho que eles estão lá em cima". E subimos de saia aquela escada que mostra tudo, e o som do videokê se misturou a uns grunhidos estranhos. Segundo andar: vazio! Tive a remota esperança de olhar no banheiro, mas foi tudo em vão. Aqueles desgraçados mudaram de lugar e nem se deram o trabalho de nos avisar.
Então, saímos eu e a Paulinha putas da vida, dizendo que não perderíamos a nossa noite, nem que fosse para ir à Ecstasy dançar e beber e fingir de novo que éramos namoradas para não sermos incomodadas pelos pregos. Mas no ápice de nossa fúria, encontramos o CD, amigo do Rodrigo de queixo furado que, como a turma do nosso amado louco, só sabe rir. E ele estava lá, sorrindo. Foi a nossa salvação, pois nós duas nunca veríamos que as pessoas estavam lá no fundo do Bay Up, ali do lado de fora.
Estavam lá, os gatos pingados e cansados, mas unidos. De 70, haviam uns 8 e um intruso, o famoso Batata. Todos com cara de zumbi, já indo para seus ninhos sonhar o sonho dos bons. Mas eles não destruiriam nossa noite, e acabamos convencendo o Nikolas a esticar com a gente no Sambatório. O Batata também foi, mas desistiu no meio do caminho.
Não sei porque, mas o Nikolas parecia um sultão entre nós duas. Deve estar no sangue. Furou uma fila enorme do banheiro dos homens para eu e a Paulinha despejarmos o chop já tomado. De vez em quando largava a gente sozinha e ia dar umas voltas. De quando em vez batia uns altos PCBs (Papo Cabeça de Bagre) comigo enquanto os caras davam em cima da Paulinha. Mas o melhor da noite foi a gente roubar a pista e as atenções dançando as músicas dos velhos tempos. Nunca me esquecerei do Nikolas pulando com os braços abertos, parecia mesmo que ele estava no balão com o Djavan cantando Super Fantástico Amigo. E os Saltimbancos? Era de tirar lágrimas dos olhos, e eu entendi porque ele havia me falado meia hora antes que o povo babava ovo nele mas no fundo ele era um meninão.
Se eu soubesse que aquela era a minha última noite com o Nikolas como membro da turma, com certeza ele receberia uma lavagem cerebral. Mas mesmo assim, foi uma noite maravilhosa e, sem saber, eu tive a chance de aproveitá-lo um pouquinho mais naquela noite que não foi frustrada graças a ele...