NOV 2000

CARTAS DO EXÍLIO


Nikolas Spagnol, um dos principais articulistas deste jornal trancou sua matrícula no curso de Comunicação para se auto-exilar na única agência do Banco do Brasil de N. S. do Conceição do Mato Dentro - MG. Por isso está de castigo. Agora, sua única maneira de contribir para o Jornal Gardenal será através deste espaço.

Nikolas, ainda exilado, se desfarçou de "Carioca Nunes" para tentar publicar um texto nos Comentários Espórticos. Dançou. Além da análise da 1ª rodada do Mc Luhan, confira também seu outro texto exilado, produzido para o Mictório da Imprensa.

COMENTÁRIO ESPÓRTICO

RESUMO DA 1 ª RODADA
As donzelas também suam

Por Carioca Nunes

   Elas vieram para provar que o futebol do McLuhan pode ser ainda pior. Drielles e Marmotas estão aí para não deixar este comentarista mentir. Afinal de contas, comenta quem sabe. E quem come alguma coisa tá sempre mastigando.

   Segundo as próprias Drielles, o nome do time é uma homenagem à namorada do Gorpo (aquele do He-Man), mas há controvérsias. O bom-senso prega que namorada do Gorpo era a Gorpette. Isso ainda vai dar muita discussão inútil, mas as garotas vestidas em tons de rosa variados entraram em quadra assim mesmo.

   Tantos passes errados e lançamentos bisonhos fizeram os organizadores temerem o primeiro 0 a 0 da história do McLuhan. Mas o gol veio em uma jogada típica: a Drielle Vanessa avançou para a meta em uma desajeitada jogada individual e, diante da goleira Paula que berrava histericamente, tocou pras redes para delírio da multidão Mclúhica. Logo no reinicio, numa jogada semelhante, Roberta repetiu o feito, anunciando uma possível goleada. Mas as Marmotas reagiram e empataram no princípio da segunda etapa, forçando as Drielles a pedir tempo para se refugiarem do sol que já era forte. Conseguiram o gol, mas nos descontos as Marmotas arrancaram um heróico empate de 3 a 3. O que faltou de futebol sobrou de dramalhão, com direito a reclamações do juiz e pedidos de impugnação da partida. Diante de tudo isso, o comunicólogo ausente Nikolas deu a palavra final: "no futebol feminino, Dill definitivamente não é o artilheiro".

Os cuecas também jogaram

   O Ou Não dos calouros, desculpa, quarto período, estreou contra o G.R.E.S. Lanternas, que apresentou alterações: Ronan, o artilheiro das redes virgens, e Deoroz, tido por muitos como o pior jogador de futsal que se tem notícia, não estavam presentes nem fizeram muita falta. Logo no primeiro minuto o placar já estava de 1 a 0 para a representação calórica, mas a partir daí os Lanternas se mostraram irreconhecíveis, levando apenas 1 gol até o intervalo. O time comandado por Milen se animava diante da possibilidade de, pela primeira vez na história do McLuhan, tomar menos de 4 gols em uma partida e, quem sabe, empatar, o que seria sem dúvida uma façanha. Mas no segundo tempo as coisas voltaram à normalidade, com Ou Não sapecando 7 a 0 na eterna Venezuela McLúhica. Esturricados pelo sol forte, os Lanternas pareciam satisfeitos em terem levado uma goleada de apenas 1 dígito.

    O que sobrou de peito no futebol feminino faltou ao juiz Henrique Milen para conter a carnificina no jogo Power Guido vs. Engenharia. Desfalcados do goleiro Bruno, que chegou no intervalo, o time patrocinado pela Catuaba São João abriu 2 gols de vantagem, mas depois de perder Gabriel contundido, o rendimento caiu vertiginosamente. No sol de 50 graus à sombra, o time do namorado da Silvia Capanema mostrou melhor preparo físico e virou para 7 a 3, diante dos inúteis apelos do goleiro Guilherme e das reclamações de Fernando. A goleada serviu para mostrar ao atual campeão Reboko que seu favoritismo é tão frágil quanto a defesa dos Lanternas.

RESULTADOS DA PRIMEIRA RODADA

FEMININO
DRIELLES (6ºP) 3 X 3 MARMOTAS (6ºP)

MASCULINO
REBOKO (8ºP) 14 X 3 AKE'S CARA (2ºP)
G.R.E.S. LANTERNAS(6ºP) 0 X 7 OU NÃO (4ºP)
POWER GUIDO(6ºP) 3 X 7 TIME DA ENGENHARIA

Confira a segunda rodada,
nos comentários espórticos.

 

 

MICTÓRIO DA IMPRENSA

   Tirando o Elio Gaspari e o editor Dídimo Paiva, que só aparecem aos domingos, e as aparições esporádicas de nosso estimado professor Fernando Massote (!), o espaço de Opinião do nosso provinciano Estado de Minas só serve para, bem, não precisa dizer. É freqüentemente tomado por teólogos da PUC, pastores evangélicos e pseudo-especialistas em qualquer coisa que só querem vender livros de auto-ajuda. Outro dia apareceu um pastor dizendo que a violência não tem nenhuma relação com a baixa escolaridade, pois a "Alemanha nazista era um berço de gênios e mesmo assim foi protagonista no Holocausto". Na verdade o que ele quis dizer era: "Como posso defender a melhoria da educação se dependo da estupidez de meus fiéis para viver?". Afinal, as multidões que vinham saudar o Füher não eram muito diferentes das que superlotam as igrejas evangélicas instaladas em antigos cinemas.

   Pior é ver a âncora do Caderno Feminino, Anna Marina, deixar de lado as habituais receitas de bolo e dicas de decoração para inventar uma pesquisa que dizia que "as mulheres religiosas têm uma vida mais satisfatória que as outras". Será que ela estava falando de alguma religião da Ìndia? Pelo menos no Cristianismo que eu conheço, ou a mulher usa saia cobrindo até a sola do pé, ou reza para uma "Virgem Imaculada" (provocação barata: seria Jesus diferente se tivesse nascido da Xuxa ou da Tiazinha?). Sem falar que o Papa até hoje não liberou a camisinha, e que até bem pouco tempo atrás as moças de família deviam casar virgem até de pensamento. Aliás, Caderno Feminino, por si só, já é uma coisa machista - o homem da casa lê sobre política, futebol, "coisas de homem", e joga o suplemento com dicas de tricô para a esposa. Cadê as sufragetes "new generation" para assar a Ana Maria Braga numa grande fogueira de cadernos femininos e pôsteres do Leonardo di Caprio? Não é possível que estejam todas no salão de beleza ou malhando para enrijecer os glúteos! Camilas do mundo, uni-vos!

Confira as cartas exiladas
da versão antiga do site.