
Foto: Daiane Dias da Costa | Wikipedia | CC BY-SA 4.0
Nesta quarta-feira, 3 de junho, o auditório Baesse, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), no campus Pampulha, recebe, a partir das 17h30, o lançamento do livro (Auto)imagens de uma historiadora por escrito, de autoria do pesquisador e professor João Victor da Fonseca Oliveira. A obra reconstrói a trajetória intelectual e institucional da professora Maria Efigênia Lage de Resende — emérita do Departamento de História da UFMG e expoente na consolidação dos campos da História e da Educação em Minas Gerais —, que faleceu em 2023.
A obra investiga como a atuação de Maria Efigênia moldou estruturas acadêmicas e práticas de formação de professores hoje consolidadas na universidade. “O interesse pelo tema nasceu da minha vivência na instituição, ao perceber como Maria Efigênia defendia o ensino articulado à pesquisa e não abria mão do arquivo nem da sala de aula”, destaca o autor, mestre e doutorando do Programa de Pós-graduação em História da UFMG.
A investigação apoia-se em um vasto corpus documental, incluindo o memorial acadêmico depositado pela professora na biblioteca da Fafich. “Era curiosa a atitude que ela manteve ao longo da carreira, de preservar os passos de sua atuação e de construir sua autoimagem como historiadora”, relata João Victor, que caracteriza a biografada como “uma mulher muito corajosa, que galgou seu lugar em meio a uma multidão de homens”.
Resistência
A obra contextualiza a atuação de Maria Efigênia em momentos cruciais da universidade brasileira, como a expansão do ensino superior e a profissionalização da pesquisa histórica. Discípula de Francisco Iglésias, ela defendeu uma perspectiva que inseria a centralidade de Minas Gerais na construção da história nacional. O livro aborda, ainda, o engajamento político e editorial da historiadora, com destaque para a autoria de uma coleção de livros didáticos, em parceria com Ana Maria Moraes, que buscava estimular o pensamento crítico dos estudantes em plena ditadura militar.
Como descreve o autor, o trabalho detalha também a participação de Maria Efigênia na comissão da disciplina de Estudos Sociais, instituída pelo regime ditatorial. “A obra procura expor essas tensões e mostrar como a trajetória individual da docente se conecta a processos mais amplos, funcionando como vetor para compreender as transformações na produção do conhecimento histórico no país”.
João Victor, que se identifica como “filho da escola pública, nascido e crescido na periferia da cidade”, vê na própria trajetória uma resposta às políticas de acesso da UFMG, defendidas pela biografada. Para ele, diante do declínio da memória da professora em seus anos finais, o livro cumpre o papel da própria História: “fazer durar no tempo o que o corpo já não consegue preservar”.
Fonte: Portal UFMG — Texto de Matheus Espíndola
