Extensão

Últimos 5 anos

CULTHIS – Cultura, Trabalho e História

Coordenadora: Vanessa Andrade de Barros

O programa Culthis: Espaço de Atenção Psicossocial ao Preso, Egresso do Sistema Prisional, Familiares e Amigos insere-se na perspectiva de um projeto de pesquisa-intervenção desenvolvido no contexto do sistema prisional de Minas Gerais. Justificada pelo contexto de escassos estudos e pesquisas sobre o encarceramento e sobre a vida extramuros da prisão, a pesquisa-intervenção aparentemente trata de um tema tabu. A detenção e a condição de egresso são raramente tomadas como objeto de estudos e pesquisas, entretanto, paradoxalmente, a prisão não é uma espaço privado, constituindo-se como local privilegiado de análise do social. Além disso, foi observado que os programas governamentais de referência para o egresso não atendem às suas reais necessidades e as de seus familiares e não intervém no sentido de transformar as situações de vulnerabilidade a que estão submetidos.
O programa possui como objetivo compreender os impactos do encarceramento na vida dos presos, dos egressos de prisões e de seus familiares visando a construção de alternativas às precárias condições materiais de existência e a criação de novas significações. Dessa forma, busca: realizar pesquisas e discussões sobre o sistema prisional brasileiro; compreender como os envolvidos integram a experiência da prisão e da reintegração social; fomentar discussões sobre a criminalidade, enfatizando os aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos envolvidos nos crimes, de forma a contribuir para a mudança do imaginário social em relação aos presos e egressos; desenvolver metodologia de atendimento ao preso e ao egresso; oferecer atendimento psicossocial aos envolvidos; participar da construção de políticas públicas que busquem a promoção e efetivação dos Direitos Humanos nas prisões e fora delas.
É orientado por referenciais da criminologia crítica e da psicologia do trabalho. A Criminologia crítica nos ajuda a compreender o encarceramento e o crime levando em consideração seus aspectos econômicos, histórico, político e cultural. A psicologia do trabalho, por sua vez, oferece a concepção de trabalho como atividade do homem sobre seu meio e sobre si mesmo, ontologicamente central e inseparável das demais atividades humanas, individuais e coletivas. O diálogo entre essas duas perspectivas amplia nossa compreensão sobre os trabalhos marginais e sobre os processos de criminalização da pobreza como determinante principal do encarceramento no mundo contemporâneo.
Os resultados obtidos demonstram que a prisão deteriora as referências exteriores da vida em liberdade, substituindo-as por elementos e estruturas psico-culturais intimamente relacionadas ao ambiente carcerário e estranhas ao universo social externo e expõem de maneira aclarada a profunda dificuldade encontrada pelo egresso prisional na reconstrução de vínculos sociais e afetivos e em sua reintegração no mundo do trabalho.
Dessa forma, conclui-se à importância da construção de espaços, tanto físicos quanto simbólicos, de acolhimento e orientação aos sujeitos inseridos nesse contexto. No momento de saída da prisão, em que a recuperação dos laços é fundamental para o reconhecimento e a experimentação de uma nova dinâmica de vida, a intervenção deve acontecer de forma a oferecer atenção integral ao ex-detento e a seus familiares a partir de suas necessidades objetivas e subjetivas, em continuidade com ações iniciadas dentro das prisões, junto aos presos que, ao saírem, já possuem vinculo consolidado com os profissionais que o atenderão.

Instituições financiadoras/parceiras:
PROEX/FAPEMIG

Filas em Prisões

Coordenadora: Vanessa Andrade de Barros

O Projeto está vinculado ao programa CULTHIS – Cultura, Trabalho e História, um espaço de acolhimento e acompanhamento psicossocial, jurídico e psicológico para as pessoas que estão ou já estiveram encarceradas, seus amigo(a)s e familiares. A prisão é uma instituição total que impõe obstáculos às interações sociais e os familiares de presos e presas não se deparam apenas com portas fechadas, paredes fortificadas, muros altos e cercas; há a perda dos direitos fundamentais e a desumanização dessas pessoas, que de alguma maneira vivenciam o cárcere.
Nesse contexto possui como objetivo a escuta de pessoas que enfrentam longos períodos de espera em filas diante das prisões para a entrega de objetos pessoais e realização de visitas a seus familiares que se encontram em detenção. Busca também oferecer atenção psicossocial e realizar encaminhamentos para atendimento psicológico e orientação jurídica às pessoas que o demandam.
Tal proposta fundamenta-se no fato de que a experiência do encarceramento não atinge somente a pessoa presa, mas se estende a os seus familiares e amigo(a)s, gerando repercussões e impactos psicossociais significativos em suas vidas.
Este projeto é desenvolvido por alunos e alunas do curso de Psicologia na modalidade estágio supervisionado.


Formação e desenvolvimento de empreendimentos solidários como instrumento de geração de trabalho e renda para a população carcerária e seus familiares

Coordenadora: Thaísa Vilela Fonseca Amaral

Trata-se de um projeto, em caráter piloto, que busca fomentar ações e o desenvolvimento de estratégias diversificadas de geração de trabalho e renda para a população carcerária, ex-carcerária e seus familiares, visando oferecer a esse público possibilidades concretas de garantia de renda e melhoria de suas condições de vida, tanto no plano material quanto psicossocial. Busca-se igualmente garantir o envolvimento em uma atividade de trabalho que estimule suas capacidades e aspirações futuras e potencialize as relações coletivas fomentando a (re)construção de vínculos sócio afetivos entre os(as) presos(as) e a comunidade externa e que rompem com as concepções de ocupação do preso que têm orientado a oferta de trabalho dentro das unidades prisionais.
Será desenvolvido em parceria com o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais e encontra-se em fase de preparação.


Documentário

Coordenador: Renato Sarieddine Araújo

Trabalho de documentação visual sobre os temas da prisão e da maternidade, ainda sem título e em fase de filmagem, é realizado por integrantes do Laboratório de Estudos sobre Trabalho, Cárcere e Direitos Humanos da UFMG. O projeto vem se desenvolvendo simultaneamente com outras pesquisas realizadas pelo laboratório, ligadas à temáticas prisionais.
Essa iniciativa tem nos aproximado do universo íntimo de pessoas ligadas às prisões mineiras, colocando-nos frente à histórias que se complementam e gradualmente confirmam que os dramas, as humilhações, as violências e as tragédias vividas por famílias inteiras se repetem – massivamente – quando um parente próximo é subtraído pelo sistema prisional. A toda evidência, esses dramas são homologados pelo Estado e perpetuados em suas instituições pelas mãos de seus funcionários.