Entender a história de um estado e seus habitantes demanda muita pesquisa e interpretação. Para suprir essa necessidade, Minas Gerais conta com o Centro de Estudos Mineiros (CEM), um órgão complementar da Fafich, que desde 1957 promove e coordena estudos e pesquisas sobre os aspectos históricos, econômicos, políticos, sociais e culturais de Minas.
O CEM coordena trabalhos com perfil interdisciplinar. Bom exemplo é o livro recém lançado “História da Família no Brasil”, fruto de cinco anos de pesquisas conduzidas pelo Centro que contaram com a participação de professores de universidades brasileiras, portuguesas e norte americanas. O projeto conseguiu, através do então diretor Douglas Libby, a liberação do acervo digital de dados censitários e cartorários do período estudado que estavam em posse da Igreja Mórmon, que mantém registros de todos seus membros e seus ascendentes pois creem na possibilidade restauracionista da salvação dos antepassados a partir do batismo.
A história social e política de Minas foi muito discutida nos Seminários de Estudos Mineiros, organizados pelo CEM de 1957 a 2007. Ao todo, foram 10 seminários, que tiveram um papel importante nas pesquisas historiográficas sobre o estado, como a quebra do mito do declínio econômico mineiro após o ciclo do ouro. “As pesquisas documentais de vários investigadores mostram que Minas Gerais continuou tendo a maior população e importação de mão-de-obra escrava, um fértil mercado interno para produtos alimentares, panos de algodão, de manufaturas diversas ligadas à construção civil, à produção agrária e ao cotidiano urbano, além de contribuir com o abastecimento alimentar de outras áreas coloniais. Essa nova interpretação historiográfica construiu-se em discussões e apresentação de trabalhos em alguns desses Seminários”, conta José Newton Coelho Meneses, diretor do CEM.
Há seis meses na direção do Centro, José Newton organiza a retomada dos Seminários, que serão bienais a partir de 2017. Outros projetos atuais do CEM são a digitalização e disponibilização online do acervo do Centro, que possui material raro (como livros e documentos dos séculos XVIII, XIX e XX) e a continuidade dos eventos culturais, que passarão a ser semestrais.
Já quase sexagenário, o CEM continua com fôlego de estudante. “Buscamos ampliar nosso objetivo, dando continuidade aos trabalhos já feitos, intensificando a busca por espaços de discussão e promovendo cooperações com outros centros da UFMG e das universidades mineiras”, completa José Newton.
O CEM tem em seu acervo documentos raros dos séculos XVIII, XIX e XX
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