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Física, divertida?

by luizagude 2008-10-09

O Laboratório de Divulgação Científica do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG ajuda alunos do ensino fundamental e médio a desenvolverem a criatividade através da ciência.

Física, divertida?

A estudante do 1º ano, Debora Pereira, aprende física com seu modelo de helicóptero

Um carro em movimento, um arco-íris e um acelerador de partículas. O que isso tudo tem em comum? A Física. Bicho-papão entre boa parte dos estudantes, pouco conhecida pela maioria da população, a física tem mais influência em nosso cotidiano do que pensamos ou conhecemos. Por trás das fórmulas e teorias que aprendemos na escola, existem infinitas possibilidades de desenvolvimento de novas criações que tornam a nossa vida mais fácil e até mesmo divertida. “A física está por trás de todas as invenções que conhecemos. As vezes não somos nós que criamos, mas damos a possibilidade para que as coisas se desenvolvam”, explica Douglas Alencar, estudante do 6º período de Física. Segundo ele, a internet, por exemplo, foi inventada por um físico.

No Departamento de Física da UFMG, um laboratório dedica-se a divulgar vários projetos científicos e tornar a disciplina mais próxima do cotidiano. Trata-se do Laboratório de Divulgação Científica, coordenado pelo professor Eduardo Valadares, autor de diversos livros sobre física – entre eles o “Física mais que divertida”, publicado internacionalmente e que traz idéias de experiências inovadoras. Mas, peraí, será que a física pode mesmo ser divertida? “Ela só é divertida. As pessoas é que ainda não sabem disso”, brinca Diego Gonçalves, que está no 2º período do curso e trabalha no laboratório.

Boa parte dos trabalhos envolvem apresentar para crianças e jovens, através de parcerias com instituições de ensino, como é a física na prática, desenvolvendo, assim, a criatividade dos alunos. Uma questão que preocupa os estudantes e professores da disciplina atualmente é o ensino da física nas escolas, que é muito engessado e baseado em teorias e fórmulas, o que dá uma visão incompleta da ciência. “Muitos professores de física nem são formados nessa área. São engenheiros, matemáticos. Fica difícil ensinar assim”, comenta Lister Fleury, professor da rede pública de ensino e bolsista do Laboratório.

Física na Prática

O Colégio Regina Passis é um dos que leva alunos do ensino médio ao laboratório com o intuito de aplicar o que os estudantes têm aprendido na sala de aula. Esse ano eles realizaram uma oficina de helicópteros. Ali, as teorias da transferência de energia podiam ser vistas na prática através de um modelinho de hélice, feito com materiais simples, e que voava de verdade. O professor Carlos Alberto Pongelupe conta que leva a turma à UFMG há alguns anos e que a experiência tem sido muito boa. “Eles costumam não gostar de física, tem dificuldade para entender. Mas quando chegam aqui e visualizam na prática a transferência de energia, por exemplo. Fica bem mais fácil e interessante – e o rendimento melhora”, explica.

“Eu não entendo direito na aula. É muita matemática, muito cálculo. Aqui é muito mais divertido”, conta Débora Pereira, estudante do 1º ano. Mas será que deu para entender todos os conceitos? “Hum, é... A energia elástica, não, a mecânica...” - ela se embola um pouco - “mas na hora da prova, depois de ter estudado, ajuda a lembrar. Por isso que é bom”, explica.

Lister Fleury, professor da Escola Estadual Professor Morais, conta que se falasse para os alunos que os projetos que eles iriam desenvolver são para aprender Física, muitos torceriam o nariz. “A nossa intenção aqui no laboratório é mudar a visão deles, fazê-los ver e entender a ciência, desenvolver a criatividade e a vontade de inovar” explica. Lister é um dos bolsistas do projeto Inova Escola, desenvolvido há dois anos com três escolas estaduais de Belo Horizonte. “O objetivo é desenvolver as capacidades criativas e o espírito científico nesses alunos”, completa Eduardo Valadares, o coordenador do projeto. No ano passado, eles desenvolveram experimentos de energia alternativa, como uma churrasqueira solar e uma bicicleta que produzia energia. Esses projetos foram premiados no ano passado na Feira Nacional de Educação Básica e apresentados em Feiras Acadêmicas em Brasília e no Marrocos.

 Menino brinca com o modelo de bicicleta que produz energia

Menino brinca com o modelo de bicicleta que produz energia

 
As idéias de experimentos vêm da literatura publicada sobre física (incluindo os livros do professor Eduardo) e a internet: “Mas nós partimos desses experimentos que já existem para desenvolver coisas diferentes. Até porque, os materiais buscados pelo pessoal do laboratório não são caros ou de difícil acesso – trata-se de material reciclado ou que são facilmente encontrados no mercado” conta o professor.

Esse ano, a turma do Lister está desenvolvendo uma geladeira solar. “Eu consigo perceber que eles desenvolveram uma intuição melhor, que conseguem prever como vai terminar um ou outro experimento, e isso é muito importante”. Dessa forma, o projeto consegue cumprir seu objetivo de fazer os estudantes encarar a ciência de uma nova maneira. E, quem sabe, esses jovens físicos amadores, no futuro, não contribuam para que essa disciplina se torne mais querida e divertida, e menos assustadora.

Divirta-se também:

No Blog do Professor Aba Israel é possível encontrar várias questões interessantes sobre Física, e até mesmo o RAP do LHC (o acelerador de partículas). Vale a pena conferir!

Os livros “Física Mais que Divertida” do Prof. Eduardo Valadares, podem ser comprados em qualquer livraria (do Brasil ou da Alemanha). Quem quiser mais informações pode dar uma checada em: www.fisica.ufmg.br/ divertida




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