Devires, Belo Horizonte, V.7, N.2, JUL/DEZ 2010 – ISSN 2179-6483
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A Estética como Política*
—Jacques Rancière
Pacific: o navio, a dobra do filme
—André Brasil
A teta assustada e a estrangeiridade no/do corpo
—Alessandra Brandão
O tremor das imagens: notas sobre o cinema militante
—Anita Leandro
Do espectador crítico ao espectador montador
—Consuelo Lins
Um dia na vida do outro espectador
—César Guimarães
Yo, Tú, Hiroshima… (Un comentario acerca
de la imposibilidad del testimonio)
—Yamila Volnovich
Fotograma comentado - A presença de uma ausência:
A falta que me faz e Morro do Céu 
resumo: O artigo investiga relações históricas entre corpo, tecnologias e política nos filmes de Cronenberg Mistérios e paixões (1991) e eXistenZ (1999). No primeiro, a abordagem do inconsciente se desdobra nas máquinas literária, política, erótica. Em eXistenZ é explorado outro tipo de máquina, ligado à cultura somática, à lógica empresarial e ao mundo dos games. Afastando-se de falsos debates (adeptos do "real" X seguidores do "virtual"), esse filme destaca a questão política do caráter programável inerente à cultura, inclusive ao cinema.

resumo: Se podemos afirmar com Georges Didi-Huberman que "a poeira permite pensar o mundo", o filme Noite e neblina, de Alain Resnais, os poemas de Bertolt Brecht, o verbete "Poeira", de Georges Bataille operam questões que alteram um ethos no campo da imagem.

resumo: Este trabalho gira em torno de uma frase –"Tu n'as rien vu à Hiroshima. Rien!"– e das imagens que ela atualiza para explorar a questão que atrevessa o cinema desde o pós-guerra: que significa olhar? Entre ver e olhar, entre o acontecimento e a representação, entre o visível e o enunciável, a imagem documental acode para dar testemunho dessa brecha e remete ao problema da sua relação referencial com o mundo histórico. Hiroshima... é, sem dúvida, um acontecimento no qual o cinema encontra, apesar de toda carência, sua potência de sentido.

resumo: Pacific, documentário de Marcelo Pedroso, constitui-se exclusivamente de imagens dos próprios turistas, realizadas durante um cruzeiro a Fernando de Noronha. Com a estratégia, o filme nos mostra, por dentro, uma heterotopia marcada pelos imperativos do gozo e da performance de si. Ao receber voluntariamente imagens que não foram, a princípio, endereçadas ao filme, o diretor se vê diante de um impasse: se, de um lado, não se trata de aderir acriticamente ao universo do cruzeiro, por outro, a crítica não deve resultar de um gesto de excessivo distanciamento. Em meio ao excesso de imagens e de performances de si, entre erros e acertos, o filme busca a justa distância.

resumo: Entre 1968 e 1974, os operários franceses pegaram em câmeras como se pega em armas, e realizaram quatorze filmes militantes. Retomamos aqui algumas dessas obras, buscando na estética dos Grupos Medvedkine, como ficaram conhecidos, ensinamentos sobre a história política recente.

resumo: Este texto analisa a inquietante experiência que Um dia na vida (definido como "material de pesquisa para um filme futuro") provoca no espectador que o assiste na sala escura. Imersas na escuridão e deslocadas de seu lugar de origem, as imagens televisivas, agigantadas na tela, exibem a fratura entre o mundo do telespectador e o do cine-espectador.

resumo: As favelas são parte da disputa estética e política na cidade. Uma disputa que se faz em torno do descontrole das potências vitais que ali se forjam.Privilegiamos neste artigo os filmes 5 x Favela - agora por nós mesmos (Cacá Diegues – prod., 2010) e Avenida Brasília Formosa (Gabriel Mascaro, 2009) e com eles investigamos as possibilidades críticas, de escrituras e projetos, que operam no horizonte biopolítico do capitalismo contemporâneo.

resumo: O artigo propõe uma leitura de A teta assustada (Claudia Llosa, 2009), a partir da perspectiva de Jean-Luc Nancy sobre a estrangeiridade (em L'Intrus). Como o coração transplantado para Nancy, a batata que Fausta carrega no ventre desperta a discussão sobre o corpo e sua relação com a exterioridade. Na fronteira que borra o dentro e o fora, a estratégia de imunização de Fausta (aqui pensada segundo Esposito) engendra uma subjetividade que se articula entre um devir-batata e um devir-flor.

resumo: Rupturas e continuidades entre o filme mais recente do cineasta Eduardo Coutinho, realizado com imagens da televisão aberta, e seus filmes anteriores, baseados na interação entre ele e personagens diversos. A pilhagem de imagens midiáticas e a exibição desse material editado em uma sala de cinema configuram um gesto artístico cujas dimensões estéticas e políticas adquirem mais importância do que o objeto fílmico e convocam um espectador não apenas critico ou cético diante do que vê, mas um espectador-montador.

resumo: Este ensaio foi apresentado oralmente pela filósofa Marie-José Mondzain no seminário A Perseguição no Cinema, promovido conjuntamente pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG e pelo forumdoc.bh (Festival do Filme Documentário e Etnográfico/Fórum de Antropologia, Cinema e Vídeo), em novembro de 2009. Ao analisar o filme Mal dos trópicos (Tropical malady, 2004), do diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul, Mondzain descreve como a perseguição erótica e iniciática é integrada à variação infinita das substituições e mudanças, própria da metamorfose. O texto original nos foi gentilmente cedido pela autora.