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Formação Transversal em Gênero e Sexualidade: perspectivas Queer/LGBTI

A Formação Transversal em Gênero e Sexualidades: Perspectivas Queer/LGBTI tem como objetivo aproximar estudantes dos aportes teóricos-políticos-metodológicos organizados a partir das experiências Queer/LGBTI na contemporaneidade, considerando a transversalidade desse campo de estudos e práticas políticas dessa sua emergência.

Esse campo, desde meados do século XX, vem se configurando como um campo de estudos, pesquisas e práticas políticas em que se expressam as experiências Queer/LGBTI para além das visões médico-sanitárias e patológicas, incidindo e reverberando, portanto, aspectos e dimensões constituintes do pensamento e da ação no amplo campo do reconhecimento dos direitos e na produção de novos direitos. Assim, o mérito da presente oferta de uma Formação Transversal em Gênero e Sexualidades: Perspectivas Queer/LGBTI se consubstancia na apresentação para estudantes de uma área que vem se constituído, nas últimas décadas, a partir de um significativo empenho de pesquisa e ensino/extensão de vários centros acadêmicos internacionais e nacionais sobre questões do sistema sexo-gênero e as distintas variações de suas expressões.

No Brasil, esses estudos consolidam-se paulatinamente através da realização de congressos específicos e publicação de periódicos em que se divulgam aspectos teóricos e metodológicos relevantes, bem como propostas interventivas no cenário político-institucional frente aos desafios mobilizados pela presença de pessoas Queer/LGBTI. A sistematização desses saberes e práticas se dá em um contexto profundamente transdisciplinar em que essa característica é fundamento de sua própria constituição ao exprimir um campo de reflexões extremamente complexo, permeado por dissensos e tensões, bem como a permanência de investigações e proposições fronteiriças entre várias áreas do conhecimento. Além disso, é importante sublinhar que essas reflexões emergem igualmente no âmbito da ação política, evidenciando que a sua produção é intencionalmente uma interpelação engendrada pelas formas de abjeção aos corpos, sexualidades e expressões de gênero.

Duas características se destacam, portanto, nessa produção teórico-prática ao se considerar sua inscrição e escopo na perspectiva dos direitos humanos:

  1. QUE SUA PRODUÇÃO TEÓRICA-METODOLÓGICA é transdisciplinar e produzida na crítica do monopólio do pensamento acadêmico, considerando que os movimentos sociais, as instituições sociais e as experiências sociais produziram igualmente conhecimentos, ideias e proposições que incidem sobre os percursos acadêmicos de forma transdisciplinar;
  2. QUE A NOÇÃO DE EXPERIÊNCIA faz-se fundamental para pensar as questões de gênero e sexualidade em uma perspectiva Queer/LGBTI, pois colocam em debate modos de vida, direitos e instituições para serem repensadas a partir da legitimidade de experiências só recentemente reconhecidas como viáveis e legitimas, e não como patologias ou crimes.

Como efeito dessa primazia, podemos considerar que um curso em Formação Transversal na perspectiva aqui apontada aporta, obrigatoriamente, alguns elementos bastante contemporâneos, como a necessidade do pensamento e prática transdisciplinar não como um conjunto de conhecimentos disponíveis em várias disciplinas, mas, sobretudo, como questões e ideias que se produzem no cotidiano dos distintos modos de vida a partir de uma luta política por reconhecimento contra as subalternizações invisibilizadoras e regulações científicas que reincidem na patologização das sexualidades consideradas como práticas dissidentes.

Além disso, instala-se aí um outro elemento bastante criativo que é o de pensar o campo como um palco de disputas que exige legitimar as experiências corporais, sexuais e práticas sociais como produtoras de ideias, pensamentos, reflexões e pertencimentos que só recentemente encontraram alguma institucionalidade na cultura e na política brasileiras. Aqui cabe frisar que essa institucionalidade ainda se dá em contextos perpassado por tensões e contendas como temos visto recentemente em uma série de retrocessos com relação à expansão dos direitos Queer/LGBTI no campo dos Direitos Humanos.